Pela nossa vida fora, todos nos passamos por algo que nos define e que nos dá uma singularidade individual. Alguma coisa que nos marca, alguma coisa de que nao falamos, alguma coisa de que temos medo, ou até alguma coisa de que nos orgulhamos. No meu caso foi a perda.
Perder alguém é tão cliché que todas as pessoas o fazem da mesma maneira, e eu nao fui excepção. E para não fugir à regra só aí é que dei valor ao que tinha, é que desejei ter feito tudo o que não fiz e que me arrependi de por vezes ter dito coisas que nao sentia.
Foi este o meu 'momento de viragem': quando aprendi a encarar a morte. Nunca a tinha visto de perto, só a meia-distancia, quando ela afastava alguem de outro alguém, e não de mim.
Mesmo depois de muito choro e de algumas atitudes estupidas: não falei sobre o assunto nem segui em frente. Em vez disso deixei que isso se tornasse a minha maior fraqueza. E durante tempos e tempos, foi-me comendo por dentro, alastrando como uma doença e tornando-se cada vez mais dificil de abordar.
Hoje, já passaram vários anos, mas continua a ser dificil até de pensar; mas estou a trabalhar nisso. E no final de tudo isto o que restou das lágrimas e das saudades foram as lições: de que a vida não se mede aos dias e de que perfiro ficar feliz porque vives-te e não triste porque já não estás aqui.
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